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Mercado Imobiliário

Rio Grande do Sul acompanha movimento de expansão do financiamento imobiliário nacional

05/08/2026

O mercado imobiliário brasileiro manteve ritmo acelerado no primeiro semestre de 2026. Mais de 680 mil imóveis foram financiados no período, somando R$ 180,9 bilhões em crédito imobiliário, um crescimento de 23% em relação aos R$ 147,1 bilhões registrados no mesmo período do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). 

 

O avanço foi impulsionado principalmente pelos financiamentos com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que cresceram 29%, e pelas operações com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com alta de 22%. A Abecip avalia que o resultado demonstra a resiliência da demanda por crédito imobiliário, mesmo em um cenário de juros elevados.

 

No Rio Grande do Sul, representantes do setor afirmam que o desempenho acompanha a tendência nacional. Segundo o vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio Grande do Sul (Secovi-RS), Rafael Padoin, o mercado gaúcho registrou forte expansão da atividade imobiliária, impulsionada tanto pela demanda reprimida quanto por medidas que facilitaram o acesso ao crédito, como a ampliação do teto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), a retomada do financiamento de até 80% para imóveis usados e a utilização do FGTS em imóveis de maior valor.

 

Além da procura por moradia, Padoin destaca que investidores seguem enxergando o imóvel como uma alternativa para proteção patrimonial e geração de renda, especialmente em segmentos ligados ao turismo e à locação por curta temporada. A criação da Faixa 4 do programa Minha Casa Minha Vida (que permite financiar imóveis de até R$ 600.000) também ampliou o interesse de famílias que buscam adquirir o primeiro imóvel.

 

Para o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), Rodrigo Pavei, a demanda por habitação permanece elevada no estado devido ao déficit habitacional, fator que garante sustentação ao mercado mesmo diante das incertezas econômicas. 

 

Pavei observa ainda que o comportamento dos compradores mudou com o atual cenário econômico. Com a taxa de financiamento habitacional permanecendo abaixo da Selic, muitos consumidores optam por financiar uma parcela maior do imóvel em vez de utilizar recursos próprios aplicados em investimentos financeiros. "Se é possível obter financiamento bancário, o cliente tende a financiar, independentemente da classe social", resume.

 

Apesar do cenário positivo para o crédito imobiliário, representantes do setor apontam desafios para manter o ritmo de crescimento. A principal preocupação é o custo do dinheiro para as empresas. Segundo Pavei, incorporadoras e construtoras, principalmente de pequeno e médio porte, ainda enfrentam dificuldades para obter financiamento para produção devido ao elevado custo do crédito atrelado à taxa Selic.

 

Outro entrave está no acesso das famílias ao financiamento. Embora haja recursos disponíveis, o alto nível de endividamento dos consumidores reduz a capacidade de comprometimento da renda exigida pelas instituições financeiras para aprovação dos financiamentos, limitando parte da demanda potencial.

 

Mesmo assim, as expectativas do setor são positivas para o segundo semestre. Tradicionalmente, o período concentra maior volume de negociações, e a perspectiva de estabilidade ou redução dos juros reforça a confiança do setor na continuidade da recuperação do mercado imobiliário gaúcho.

 

Fonte: Jornal do Comércio