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Excesso de placas de aluguel e venda chama a atenção para êxodo de moradores na zona Sul de Porto Alegre

18/06/2026

A zona Sul de Porto Alegre foi um dos territórios mais conflagrados pelas enchentes de 2024, com inundações atingindo bairros inteiros. Áreas como Guarujá e Ipanema, entre outras, até hoje não se recuperaram completamente dos estragos, em que pese os investimentos da Prefeitura para a recuperação da orla, por exemplo. Mas um dos maiores legados das inundações foi o êxodo de antigos moradores para outros locais, deixando Porto Alegre. Há quem, de fato, resista à mudança, embora não seja preciso circular muito e constatar um expressivo número de placas de aluguel e venda de residências, algumas delas com várias.

 

De acordo com o Sindicato da Habitação do RS (Secovi/RS-Agademi), pouco antes das históricas inundações, em abril de 2024, o preço médio do metro quadrado residencial no Guarujá era de R$ 3.722,52, porém um ano depois, em abril de 2025, estava em R$ 3.682,76, e no mesmo mês de 2026, R$ 3.587,88. O sindicato, contudo, adverte que os valores refletem uma consequência do recorte dos imóveis disponíveis nestes momentos; ou seja, se imóveis mais caros entrarem juntos em um mesmo período, o preço naturalmente sobe, assim como cai com a entrada de residências mais baratas.

 

O número de imóveis disponíveis para locação e compra se manteve relativamente estável, no entanto, tanto no Guarujá, como em Ipanema e na Tristeza, quando comparados os meses e abril de cada ano, desde 2023. De qualquer maneira, o El Niño intenso previsto para o segundo semestre deste ano é mais um fator de preocupação, conforme os habitantes locais. “O pessoal ficou com medo”, resume o autônomo Hugo Luis, que disse morar há 50 anos na região. “Tem gente que, quando chove, vai para a praia, onde tem fazendas, casas”.

 

Ele contou que a área tornou-se local de invasões logo depois das enchentes. “Invadiram e deixaram televisões em cima das árvores, porque não tinham como levar. Então muitos moradores acabaram contratando vigilância em barcos. E a reconstrução, hoje em dia, é complicada. O preço das casas baixou, mas ninguém quer comprar. Todo mundo tem medo da enchente de novo. Um monte de gente abandonou”. Entre os que optaram por ficar, a maioria é de pessoas cujas casas não foram afetadas pelas cheias de dois anos atrás.

 

O diretor-presidente do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Vicente Perrone, disse que está “muito próxima” a contratação de um projeto de drenagem, primeiramente para os bairros Guarujá e Serraria, mais baixos e urbanizados, e que está em definição o modelo de proteção de cheias para a zona Sul, que hoje não a possui.

 

Possíveis soluções

“São dois sistemas separados, mas que em conjunto solucionam os dois problemas, de drenagem e proteção de cheias”, afirmou Perrone. A intenção é buscar financiamentos internacionais e recursos federais para pôr em marcha os projetos. Ao menos o da proteção de cheias “com certeza absolutíssima não vai ser neste ano”, salientou o diretor-presidente do Dmae.

 

O anteprojeto deve ser orçado e contratado no segundo semestre do ano. Antes disto, na última terça-feira, a Prefeitura apresentou a lideranças comunitárias do Guarujá os primeiros estudos de concepção para a criação de um sistema de proteção contra cheias na região, prevendo investimentos de R$ 300 milhões.

 

As alternativas propostas incluem a construção de um muro, a elevação da avenida Guaíba ou da Praça Zeno Simon, com maior probabilidade de ser esta última, diz o Dmae. Caso ocorram novas cheias antes da conclusão do projeto, um plano de contingência prevê barreiras móveis para conter o avanço das águas do Guaíba, além do bloqueio temporário da ligação dos arroios com o manancial e bombas móveis para o escoamento da água da chuva.

 

 

Fonte: Correio do Povo